Em cartaz de 15 de julho a 12 de outubro, exposição gratuita apresenta novo recorte curatorial e obras inéditas, aproximando o artista uruguaio da arte popular e da cultura mineira.
Depois de temporadas nos CCBBs São Paulo e Brasília, chega a Belo Horizonte, no dia 15 de julho, a exposição Joaquín Torres García – 150 anos, a mais abrangente já realizada no Brasil sobre um dos principais nomes da arte moderna latino-americana. Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) até 12 de outubro de 2026, a mostra celebra o trabalho do artista, apresentando um novo recorte curatorial e um conjunto inédito de obras especialmente selecionadas para a etapa mineira. A entrada é gratuita mediante retirada de ingresso pelo site ccbb.com.br/bh ou na bilheteria do CCBB BH.
Idealizada pelo curador Saulo di Tarso, com a colaboração do Museo Torres García, a exposição reúne mais de 400 obras, entre pinturas, desenhos, objetos, manuscritos e documentos históricos, além de trabalhos de mais de uma centena de artistas brasileiros e estrangeiros que estabelecem diálogos com o legado de Torres García.
A mostra evidencia diálogos entre Torres García e importantes artistas brasileiros modernos e contemporâneos, revelando aproximações formais, conceituais e simbólicas que atravessam diferentes gerações e linguagens artísticas. Saulo di Tarso explica que cada cidade amplia as possibilidades de leitura da exposição. “A mostra se redesenha e procura incorporar a participação de artistas locais. Essa transformação museográfica que é implementada em cada cidade busca atualizar a presença de Torres García junto a artistas de grande potência no cenário contemporâneo”, destaca o curador.
Nesse sentido, a montagem em Belo Horizonte apresentará novas obras de artistas como Advânio Lessa e Randolpho Lamonier, que evidenciam a relevância da produção regional e reforçam o caráter singular da temporada mineira. “Cada cidade transforma a exposição em uma experiência diferente. Em Belo Horizonte, buscamos evidenciar as conexões entre o pensamento de Torres García, a arte popular e a cultura mineira, mostrando como sua obra continua dialogando com questões de identidade, pertencimento e criação coletiva. O Sul, para ele, nunca foi apenas um lugar no mapa, mas uma forma de compreender o mundo”, afirma.
A exposição que aporta na capital mineira ganha um recorte curatorial próprio. Assim, se em Brasília o percurso privilegiava as relações entre arte, arquitetura e espaço público, em Belo Horizonte o foco recai nas conexões entre o pensamento de Torres García, a arte popular e a cultura de Minas Gerais. A proposta reafirma uma das ideias centrais do artista, de que o Sul não é apenas uma posição geográfica, mas uma perspectiva ética, estética e cultural diante do mundo. Neste tema, uma das inclusões que destacam os debates decoloniais e enriquecem o diálogo são mapas históricos dos séculos XVII e XVIII de Pieter Goos e Jodocus Hondius, por exemplo, colocados nesta etapa da itinerância.
Outro eixo importante da exposição é sua dimensão educativa. Saulo di Tarso explica que Torres García compreendia a infância como uma forma de “integração da vida” e atribuía às crianças um papel central no projeto da criação moderna. “Já na década de 1910, García ministrava aulas de arte e de civilização africana para crianças em ateliês, uma iniciativa extremamente arrojada para a época, que evidenciava a importância da infância em seu pensamento e em sua prática artística”, afirma.
Sua defesa da experimentação, da criação de símbolos e da liberdade inventiva inspira as ações educativas, as visitas mediadas e as atividades voltadas a públicos de todas as idades, ampliando a experiência dos visitantes. “Ele defendia uma educação artística baseada na experiência e na invenção, em que o principal estímulo estava na criação de símbolos e na organização das percepções. Nesse contexto, desenvolveu brinquedos de madeira com caráter formativo e incorporou à sua pintura uma linguagem sintética, próxima ao traço infantil, valorizando a habilidade das crianças de compreender e estruturar o mundo por meio de signos simples e universais”, destaca o curador.
Reconhecido internacionalmente, Joaquín Torres García é apresentado sob uma perspectiva que ultrapassa sua iconografia mais conhecida. O percurso destaca sua contribuição para aproximar as experiências das vanguardas europeias das culturas latino-americanas, e também evidencia seu pioneirismo na criação do Universalismo construtivo – escola artística que deixou um legado importantíssimo com o grupo Taller Torres García, que buscava uma linguagem criada a partir de formas universais, simples e geométricas, aliado a referências culturais próprias da América Latina, e que permanece atual nos debates sobre identidade, pertencimento e autonomia cultural.
Entre os destaques da exposição está a obra “América Invertida”, uma das imagens mais emblemáticas da história da arte latino-americana e raramente apresentada fora do Museo Torres García, situado em Montevidéu. Mais do que inverter um mapa, a obra propõe uma mudança de perspectiva sobre o lugar da América Latina no mundo, tendo se tornado um dos maiores símbolos da afirmação cultural do continente.
A organizadora da exposição, Cynthia Taboada, diretora da Cy Museum, ressalta o caráter itinerante e singular da mostra. “É uma exposição única pela multiplicidade de conexões e pela reunião de obras de qualidade excepcional. Em Belo Horizonte, o público encontrará uma nova experiência, porque a mostra se transforma em cada cidade, seja pelo recorte curatorial ou pelo desenho arquitetônico de cada espaço de exposição”, diz.
Segundo Cynthia, levar a exposição ao CCBB Belo Horizonte significa dar continuidade a um projeto que envolve pesquisa, cooperação internacional, gerenciamento museológico e produção museográfica de alto nível: “Cada montagem permite experimentar novas percepções e sensações que se completam ao caminhar pelo espaço expositivo, sempre diferente entre as cidades de uma itinerância. É um projeto que busca produzir conhecimento, agregar conexões e ampliar o acesso ao pensamento de um dos grandes nomes da arte latino-americana”, complementa.
A mostra se revela a maior já realizada sobre Torres García no Brasil. São centenas de obras inéditas, com a reunião de uma quantidade expressiva de desenhos e manuscritos cedidos pelo Museo Torres García, que representam seus principais projetos artísticos, e a reunião de empréstimos valiosos no contexto museológico nacional e internacional: “museus como MACBA (Museu d’Art Contemporani de Barcelona), IVAM (Institut Valencià d’Art Modern), MSSA (Museo de la Solidaridad Salvador Allende), MASP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Galeria Sur e coleções privadas importantes cederam obras fundamentais de Torres García e da seleção de artistas propostos pela curadoria. Todos abraçaram o projeto em torno da celebração dos 150 anos do artista, momento único que permite gerenciar essa quantidade enorme de acordos em torno de um propósito singular e de uma riqueza ímpar”, completa.
Selecionada pelo Edital CCBB 2023-2025 e viabilizada pela Lei Rouanet, a exposição tem patrocínio da BB Asset, organização e produção da Cy Museum e curadoria de Saulo di Tarso, com a colaboração do Museo Torres García.
Joaquín Torres García – 150 anos
Local: Galerias do 3º Andar e Pátio – CCBB Belo Horizonte
Endereço: Praça da Liberdade, 450, Funcionários – BH/MG
Período: 15 de julho a 12 de outubro de 2026
Ingressos: Gratuitos, mediante retirada em ccbb.com.br/bh
ou na bilheteria do CCBB BH
Funcionamento: de quarta a segunda, das 10h às 22h.
Informações: (31) 3431-9400 | ccbb.com.br/bh
Instagram.com/ccbbbh | Facebook.com/ccbbbh
E-mail: ccbbbh@bb.com.br

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