Crônica James Brown
Crônicas Musicais

Crônica James Brown

O GENIAL JAMES BROWN

CRÔNICAS DA ERA DO ROCK – Rodrigo Leste – E115

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Não há dúvida de que os bio filmes sobre James Brown, Billie Holiday e Ray Charles são bons, mas percebo no três uma tendência a glamourizar a desgraça da vida dos protagonistas. Os filmes evidenciam que boa parte dos desastres das estrelas deve-se ao uso abusivo de álcool e drogas. Mas, destaco também, o fato de que os três negros carregam o karma da raça, um estigma bem hollywoodiano que é o de associar, de forma subliminar, as desventuras à cor da pele. Teoria da conspiração? Pode ser… Mas a conquista do êxito para pessoas como James Brown custa caro. Não surfam no sucesso com a mesma segurança e estabilidade de John Wayne ou Michael Douglas.

Segundo o crítico americano Robert Christgau: “James Brown foi o maior músico da era do rock, sem dúvida alguma. Ele inventou o funk e criou a batida para o hip-hop.”

James Brown (1933-2006) construiu seu sucesso na marra, na perseverança. Foi um dos grandes responsáveis pela valorização do ritmo sobre a melodia na música pop (valorização de baixo e bateria que culminariam com a música dance e techno atuais). Sua música hormonal, baseada em vocalizações de gospel, e seus shows cheios de energia foram influência direta ou indireta de praticamente todos os estilos que se seguiram. Participou decisivamente da criação do soul e mais tarde do funk. Sua influência no rock moderno é inegável.

JB não teve uma infância fácil. Foi abandonado pela mãe aos dois anos e, aos seis, começou a viver na casa da tia, dona de um prostíbulo na Geórgia, EUA. Lá, vivia sem cuidados da família, e se virava por conta própria. Para sobreviver, engraxava sapatos, vendia selos, lavava pratos e cantava em concursos de talentos. Além disso, aprendeu a tocar flauta, guitarra, piano e bateria.

Brown começou a praticar crimes. Aos 16 anos foi condenado por assalto à mão armada e enviado para um centro de detenção juvenil em Toccoa em 1949 onde ficou por 3 anos. Quando conseguiu a liberdade, JB se dedicou totalmente ao que seria seu grande talento: a música. Foi acolhido pela família de Bobby Byrd em 1953, e, no mesmo ano, entrou para o grupo gospel Starlighters, posteriormente chamado de Famous Flames.

Após dois anos, James Brown gravou um dos seus maiores sucessos, “Please, Please, Please,” música a qual alcançou a sexta posição nas paradas de R&B e vendeu mais de um milhão de cópias. Os primeiros sucessos marcantes do músico eram canções do gênero gospel e blues.

Os restantes anos da década de 50 e da década de 60 foram de trabalho árduo: era comum o artista atuar 6 noites por semana, o que lhe valeu o apelido de The Hardest Working Man in Show Business (o Homem que Mais Trabalha na Indústria do Espetáculo)

Mr. Dynamite (um dos apelidos de JB) estabeleceu o padrão para performances ao vivo, dinâmicas na música americana. Inspirado por pregadores da igreja negra, Brown começou cantando em quartetos gospel. Como o “Padrinho do Soul”, ele transformou o gospel em música secular centrada na essência emocional do cantor de soul. Brown transformou baladas em performances teatrais virtuosas — caindo de joelhos, abrindo espacates (abertura das pernas em um ângulo de 180 graus, paralelas ao solo), jogando o microfone no chão e de volta, cada movimento intensificando a emoção da música. Chamado de Soul Brother Number 1, Brown atuou como um líder cultural, compondo sucessos que exaltavam o orgulho negro. Como precursor do funk, JB e sua banda criaram uma estética minimalista e ritmicamente marcante que influenciou a música mundial, do reggae ao afrobeat. Grande parte da música popular desde a década de 1960 vem dos movimentos e do ritmo de James Brown.

Cantou, compôs, dançou e produziu. JB respirou música do princípio ao fim num estilo único e, por isso, merece um lugar não só entre as vozes, como também entres os artistas mais marcantes da História da Música. Ele teve uma carreira de meio século e influenciou muitos artistas ao longo da sua vida, durante a qual vendeu mais de 100 milhõesde discos.

Paralelamente ao sucesso no palco, o artista foi ocupando um papel cada vez mais importante como ativista dos direitos civis. Em 1968, Brown lançou a canção “Say It Loud – I’m Black and I’m Proud” (Tenho orgulho de ser negro). A música foi um marco no movimento Black Power. JB também adotou o corte de cabelo natural (curto), abandonando o alisamento, como símbolo de adesão ao movimento pelos direitos civis. Apesar dessas posturas, ele era republicano conservador, adotando as posturas do chamado Black Capitalism (Capitalismo Negro).

Sr. Dynamite visitou o Brasil pela primeira vez em 1973, apresentando-se no Canecão, em Botafogo, RJ. Depois de 15 anos voltou ao Rio (1988) para o show no Maracanãzinho e em São Paulo. Em 1994 voltou à capital paulista e ao Rio para o Free Jazz Festival. Nos últimos anos James Brown vivia do artista que fora no passado, mas sua música continuava influente e atual, afinal, até o rap deve muito, esteticamente, ao jeito de cantar falando que o cantor criou.

Em 1988, JB foi preso por excesso de velocidade e por consumo de drogas. Em 1998 foi preso novamente pelo uso de arma de fogo e consumo de drogas, poucos dias depois de ter saído de uma clínica de desintoxicação.

Em 2004 foi declarado culpado por agressões à sua segunda esposa. Depois de pagar uma multa de 1.087 dólares foi posto em liberdade.

Suas últimas aparições em público foram no festival Foggfest em São Francisco, no dia 20 de agosto de 2006, em Roundhouse de Londres, em 27 de outubro do mesmo ano, e na cerimônia no Alexandra Palace em Londres quando foi reconhecido com sua entrada no Hall da Fama do Reino Unido.

James Brown faleceu em Atlanta, Estados Unidos, no dia 25 de dezembro de 2006 Morreu de insuficiência cardíaca, aos 73 anos.

O filme americano ”Get on up” ou ”James Brown”, dirigido por Tate Taylor, estreou em 2014 com o ator Chadwick Boseman, no papel de James Brown. Ele se destacou nos momentos dramáticos e nas cenas em que precisava dançar no palco.

Peguei carona em:

https://www.si.edu/spotlight/james-brown
https://pt.wikipedia.org/wiki/James_Brown
https://rollingstone.com.br/…/relembre-trajetoria-de…
https://www.ebiografia.com/james_brown
https://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/james-brown-pai-do-soul-lenda-da-musica-pop-pos-geracoes-para-dancar-20609533?utm_id=97758_v0_s00_e231_tv2_tp1_a1demoo0ves4ax&fbclid=IwY2xjawSHCrlleHRuA2FlbQIxMABicmlkETFIbDhMMnlVTThlRmc0U25uc3J0YwZhcHBfaWQQMjIyMDM5MTc4ODIwMDg5MgABHtcIUwvo9x38D9iWY6FV9vjI8hT5Z-geDFOzqje9Ag0Ock3iGIKBxL9EHbV6_aem__sCdOjDvFXUL_ixdK7Xnrw

Link: Get On Up Official Trailer #1 (2014) – James Brown Biography HD

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Revisão: Hilário Rodrigues

Colaboração midiática: @rodrigo_chaves_de_freitas

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