TED NUGENT – o rock de extrema direita
CRÔNICAS DA ERA DO ROCK – Rodrigo Leste – E109
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Desde Chuck Berry que o rock é o som da liberdade e da rebeldia. Revolução, protesto e postura antissistema sempre foram marcas do estilo musical que ao longo de gerações bateu de frente com a caretice, o mundo burguês e o capitalismo. Mas os tempos mudaram e hoje o papo é outro.
No início dos anos de 1970 assisti em Flint, Michigan, USA, um show da lendária banda The Amboy Dukes. Ted Nugent tocava guitarra e compunha em parceria com Steve Farmer. Na sequência, sua carreira solo decolou com hits como Cat Scratch Fever (Febre do Desejo) e Stranglehold (Estrangulamento) que traz uma letra calcada em sexo selvagem com requintes de sadismo. A canção traz, também, um som diferente e marcante (um arranhão metálico) que Ted tira na guitarra. Até aí tudo bem, hard rock e vamos lá! Só que tempos depois TN deu uma tremenda endireitada e começou a manifestar opiniões políticas repletas de ódio e veneno.
O jornalista Marcelo Moreira, no site Uol, o apresenta assim:
“Ted é ativo militante do Partido Republicano, direitista até a medula óssea, xenófobo (tem ojeriza a imigrantes de qualquer cor ou parte do mundo, pregando sua expulsão sumária), defensor incansável do armamento da sociedade e do neoliberalismo radical e avesso a qualquer política social que esbarre no mais remoto assistencialismo, Nugent ainda é frequentemente acusado de ser racista, embora passe longe do supremacismo branco…“
Em transmissão ao vivo em seu canal do youtube, Ted Nugent afirmou: “Nós sabemos que no evento de 6 de janeiro (de 2021) no Capitólio em Washington, DC, os que estavam destruindo coisas e quebrando janelas, não eram apoiadores de Trump. Eram ‘Antifas’(ativistas de esquerda radical que se opõem ao fascismo)e manifestantes do Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) vestindo camisetas e bonés do Trump.”
TN fez uma live de Natal abominável. Entre cusparadas, arrotos e piadas sobre fezes, o guitarrista e cantor falou uma quantidade surpreendente de absurdos. O racismo que Ted não consegue esconder aparece nesta declaração: “Não existe racismo estrutural na América. Tem racismo no Black Lives Matter. Existe racismo estrutural no Sudão e na Nigéria. Mas não existe quase racismo nenhum na América. Você precisa procurar com atenção para achar. Eu nunca vi.”, disse.
E não acaba por aí. Nugent também aproveitou para negar o assassinato de George Floyd (que foi sufocado até a morte pelo policial branco Derek Chauvin) ocorrido no dia25 de maio de 2020 em Mineápolis, Minnesota, EUA, e falar que, na verdade, ele “se matou com fentanil”. Uma tentativa desprezível de justificar o fato de Floyd não ter conseguido respirar. Além dessa, Ted chocou ao chamar o presidente Barack Obama de “mestiço sub-humano” e mentiroso.
Mas existem vários outros astros, além de TN, que assumiram posições de extrema direita. Podemos começar com o “Rei” Elvis Presley (1935-1977) que teve um badalado encontro com o infame presidente Richard Nixon. Elvis, nos delírios alucinados que sofria na época, chegou a propor tornar-se agente infiltrado do governo no programa antientorpecentes promovido pela Casa Branca.
Phil Anselmo (1968…), ex-vocalista da banda Pantera, mandou uma saudação nazista seguida das palavras “white power” (poder branco), no encerramento de uma apresentação no festival Dimebash 2016. Phil adornava o palco de suas apresentações com uma bandeira dos Estados Confederados, a mesma usada pelos estados sulistas americanos – que defendiam a manutenção da escravidão negra – durante a Guerra Civil Americana.
Johnny Ramone (1948-2018) líder da banda de punk rock, Ramones, torcedor fanático do Yankee’s, tinha o basebol e o nacionalismo como paixões. Ronald Reagan e George W. Bush foram alguns dos republicanos que receberam apoio declarado do roqueiro. Na cerimônia de indução dos Ramones no hall da fama do rock, em 2002, Johnny terminou o discurso com um sonoro “God save president Bush and God save America” (Deus salve o presidente Bush e Deus salve a América).
No Brasil, vários músicos, alguns que inclusive, conheço de perto, defendem posições alinhadas com a extrema direita mundial. Postam suas opiniões repletas de ódio e negacionismo nas redes sociais para a perplexidade de quem os conheceu em outros tempos, quando a arte, a fraternidade e a boa música eram motivo de saudável afinidade.
As eleições deste ano de 2026 vão provocar o acirramento da polaridade entre direita e esquerda. Todos os recursos lícitos e ilícitos serão empregados para a obtenção da vitória nas urnas. Falando em bom português: o pau vai quebrar! Como reza a lenda: no amor e na guerra, vale tudo. Portanto, vamos nos preparar porque as fake news e outras milongas utilizadas nos dois últimos pleitos, serão café pequeno diante das atrocidades que estão por vir. Esperamos, apesar dos pesares, que prevaleça a ordem, a justiça e a democracia saia vitoriosa.
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Pitacos e revisão: Hilário Rodrigues
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