SAD END – ERA UM GAROTO… a canção que não foi gravada pelos BEATLES E OS ROLLING STONES
Rodrigo Leste – E106
Ainda perplexo com a quase psicodélica ação yankee na Venezuela, acordo com um tremendo gosto de cabo de guarda-chuva na boca. A sensação de impotência lateja no meu corpo e na minha mente. Contraditoriamente, degusto um estranho fascínio pela magnífica engenharia da bem-sucedida ação militar americana (eficiência cibernética); deixa os filmes de Indiana Jones no chinelo. Por outro lado, estamos todos com a pulga atrás da orelha, incapazes de entender a inépcia das forças de defesa venezuelana…
Todos os ingredientes de traição, conspiração, excelência na execução do atentado terrorista me deixam estupefato. Ou seja: em pleno século XXI assistimos a feitos de pirataria que remetem ao lendário Francis Drake e outros corsários que, sob as égides de reis e rainhas, assaltavam, sequestravam, praticavam rapinagens marítimas nos oceanos e tudo ficava por isso mesmo. O butim era entregue aos donos do poder, os piratas levavam sua parte e saciavam seu apetite com carne fresca e sangue jovem. God Save the Queen! E estamos conversados!
Lá em Little Italy, NY, a 20 minutos do presídio onde enfiaram Maduro, a mãe de um marine (fuzileiro) que participou do sequestro em Caracas acorda nessa manhã cantarolando a música que simbolizou o protesto mundial contra a insana guerra americana perpetrada no Vietnan: Era um garoto/que como eu/amava os Beatles e os Rolling Stones. Ela, a mãe, ainda fala algumas palavras do italiano que herdou de seus antepassados. Murmura: C’era un ragazzo che come me amava i Beatles e i Rolling Stones, enquanto olha a rua coberta de neve, da janela de seu ap, tomando uma polenta.
Era um garoto…foi composta em 1966 por Mauro Lusini e Franco Migliacci. Tornou-se conhecida através da interpretação do cantor italiano Gianni Morandi. A letra narra a história de um jovem americano que, apesar de amar o rock e a liberdade, foi convocado para a Guerra do Vietnã, sendo obrigado a trocar a guitarra pela metralhadora. No sad end, o soldado é morto pelas balas dos vietcongues.
A música converteu-se num hit internacional. Chegou a ser cantada por Joan Baez, que traduziu as primeiras estrofes para o inglês. Ainda em 1966, foi traduzida para o grego e o espanhol. Depois foi gravada na Argentina, México, Chile, Peru, Nicarágua e El Salvador. Em meados de 1967 foi gravada no Brasil por Os Incríveis. Fez um baita sucesso. Afinal, quem, entre 15 e 25 anos, naquela época, não gostava dos Beatles e dos Rolling Stones?
Sobre Os Incríveis: a sombra se estendeu sobre a banda quando topou gravar Eu Te Amo, Meu Brasil, uma canção da dupla de traíras, Dom e Ravel, bajulando a ditadura nos tempos brabos do general Médici.
Voltando ao início, aguardamos com o coração na mão os próximos capítulos das ações comandadas pelo megalomaníaco presidente dos EUA. Groenlândia? Colômbia? Brasil? Onde as garras da ave de rapina vão se fechar? Narcotráfico, petróleo, terras raras, é tudo secundário, o BRICS é a real ameaça. O Mundo Multipolar tem ser contido a qualquer preço. O império derrapa, mas resiste, não quer entregar o osso.
Pitacos e revisão: Hilário Rodrigues
Colaboração midiática: @rodrigo_chaves_de_freitas
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