LÔ BORGES e JIMMY CLIFF – um diálogo no além
— Ei, Jimmy, este girassol, que não é da cor dos seus cabelos, botei na janela lateral do quarto de dormir.
— Boa, Lô! Agora que a chuva parou, posso enxergar claramente. O sol voltou a brilhar.
— Você pega o trem azul, o sol na cabeça. O sol pega o trem azul, você na cabeça. O sol na cabeça…
— Legal! Nas reggae nights danço a jamaicana aventura de viver.
— Jimmy, sei que você não vai saber do meu lado ocidental; relax, não precisa mais temer, não precisa da solidão: todo dia, é dia de viver!
— Com certeza, Lô. Todo dia é dia de viver! E muitos, muitos rios pra cruzar. E mais: se quiser muito, mas muito mesmo, você alcança o que você sempre quis!
— Se liga, Cliff, porque se chamava moço, também se chamava estrada, viagem de ventania, sacou?
— Pois é… Divago perdido nos brancos despenhadeiros de Dover, estendo a mão e agarro os punhos da minha vontade; ela é que não me deixa morrer.
— Quero estar onde estão os sonhos desse hotel, muito além do céu e não sentir pavor dos ratos mortos na praça, do mercado.
— Saca, Lô: como pode haver paz, onde não existe justiça? Alguém está pegando quase tudo, pegando as dádivas da Terra e deixando muitas bocas famintas em todas as partes do mundo.
Só existirá paz, brother, quando houver justiça.
— Sim, Jimmy. O sol é o pé e a mão. O sol é o pai e a mãe, dissolve a escuridão. E, lembre-se, amigo: os sonhos nunca envelhecem.
— E os refugiados? 123 milhões de refugiados. Será que o mundo é pequeno para os acolher?
— Há sol e chuva na sua estrada, mas não importa, não faz mal, você ainda pensa e é melhor do que nada, tudo que você podia ser, ou nada. Adeus, Jimmy. Adeus.
— Farewell, Lô Borges, good bye. (adeus, Lô, tchau)
Imagem fotos: João Diniz
Pitacos e revisão: Hilário Rodrigues
Colaboração midiática: @rodrigo_chaves_de_freitas
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