Crônica Pharoah Sanders
Crônicas Musicais

Crônica Pharoah Sanders

PHAROAH SANDERS, soprava a alma no seu saxofone

CRÔNICAS DA ERA DO ROCK – Rodrigo Leste – E112

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Outro dia, estava pesquisando alguma coisa e me deparei com o registro da morte do grande compositor e saxofonista Pharoah Sanders. Estamos em 2026 e PS faleceu em 2022, quer dizer, comi mosca nessa, pois Pharoah é um dos meus artistas prediletos, está sempre tocando na minha vitrola.

Conheci PS através de outro bamba do jazz, talvez um dos nomes mais importantes do som conhecido como avant-garde (em português: vanguarda): John Coltrane. JC é a expressão do jazz mais livre, experimental, radical. Poderia dizer que Coltrane faz da música sua religião (religação cósmica). Junto com outros craques como Ornette Coleman , Sun Ra , Albert Ayler , Archie Shepp e Miles Davis, fez rodar em velocidade alucinante o som do jazz que veio a ser conhecido como New Thing (Coisa Nova). E Pharoah se juntou a esse time.

Quem separou o joio do trigo no universo do jazz foi Charlie Parker (“Bird”), o saxofonista que criou o Bebop, o jazz revolucionário que surgiu em Nova York no início dos anos 1940. Ritmos acelerados, harmonias complexas e muitos solos e improvisação são marcas do estilo. Enquanto o swing era feito para se dançar, o Bebop tornou-se a música para ser escutada. Bares enfumaçados, gente chapada, cena underground que abrigava músicos como Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Thelonious Monk, Miles Davis, Bud Powell e Max Roach.

Pharoah Sanders nasceu em outubro de 1940, em Little Rock, Arkansas, EUA . Filho único, Sanders começou sua carreira musical acompanhando hinos religiosos no clarinete, depois passou pro saxofone tenor. Ele começou sua carreira profissional tocando sax em Oakland, depois se mudou para Nova York em 1962. O biógrafo de Sun Ra (SR um jazzman radical que fez uma música cósmica) escreveu que Sanders frequentemente ficava sem ter onde morar e generosamente Sun Ra o acolhia, lhe dava roupas e o encorajava a usar o nome “Pharoah”. Finalmente, Sanders adotou o “Pharoah” como nome artístico ao se inscrever no sindicato dos músicos de Nova York.

Na “Grande Maçã” (NY), PS tornou-se membro da banda de John Coltrane, desenvolvendo seu estilo na onda do free jazz e do spiritual jazz. Colaborou também com o cantor de jazz Leon Thomas e a pianista/harpista Alice Coltrane (esposa de John Coltrane). Daí passou a investir em sua carreira solo, tendo gravado mais de trinta discos. Seus álbuns mais importantes são: Karma (1969), famoso pela faixa The Creator Has a Master Plan (com Leon Thomas), Tauhid (1966), Jewels of Thought (1969),Thembi (1971,cujo o nome dei à minha filha) e o seu último lançamento:Promises (2021).

Segundo a crítica, Pharoah Sanders (nascido Ferrell Lee Sanders) tornou-se conhecido pelo sopro excessivo, harmônicos e multifônicos no saxofone, bem como pelo uso de palhetas especiais, feitas de bambu, na boquilha do instrumento. O também saxofonista Ornette Coleman certa vez o descreveu como “provavelmente o melhor saxofonista tenor do mundo”

Sanders morreu em 24 de setembro de 2022, em sua casa em Los Angeles , aos 81 anos. A causa da morte não foi especificada. Seu som vai sempre ecoar trazendo alegria, esperança e boas vibrações. Salve Pharoah Sanders!

NEA Jazz Masters: Pharoah Sanders (2016)

Pitacos e revisão: Hilário Rodrigues

Colaboração midiática: @rodrigo_chaves_de_freitas

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