ROBERT CRUMB – A grande estrela dos Quadrinhos da Contracultura
CRÔNICAS DA ERA DO ROCK – Rodrigo Leste ( rodrigoleste@yahoo.com.br ) – E119
Postem seus comentários
Atendendo a uma solicitação do amigo e parceiro dessas crônicas, o intrépido Hilário Rodrigues, vou tratar hoje de um dos ícones da contracultura, o genial desenhista Robert Crumb. RC criou histórias e personagens ilustrando a cena underground (subterrâneo) que nos anos de 1970 vivia seus melhores dias nas terras do Tio Sam. Conheci e convivi nos EUA com pessoas reais que, com suas posturas e atitudes, pareciam ter saído dos quadrinhos de Crumb. Conheci também muita gente que se assemelhava aos The Fabulous Freak Brothers (Os Fabulosos Irmãos Malucões). Sensacional criação de Gilbert Shelton recheada de sexo, drogas e rock and roll e mostrando as peripécias vividas por três hippies da contracultura — Freewheelin’ Franklin, Phineas e Fat Freddy. Sim, meu caro Hilário, estive lado a lado com figuras que eram réplica perfeita dos Freak Bros.
E como isso se deu?
Em 1972 me mandei pros States, não em busca do sonho americano, mas sim de uma alquimia que me encantava (e continua encantando): Rock e Revolução. Baixei em Michigan, mais exatamente em Ann Arbor, no propósito de ver de perto a cena underground comandada pelo poeta John Sinclair e a banda de rock MC5 (Motor City 5). As expectativas eram altas. Na companhia de uma amiga e um amigo brasileiro, cheguei a estar na sede do Rainbow People’s Party (Partido do Povo do Arco Íris), que antigamente era conhecido como White Panther Party (Partido das Panteras Brancas) associado ao temido Black Panther Party (Partido das Panteras Negras) que, sem meias palavras, propunha a tomada do poder pela força das armas. Foi um barato estar no local que abrigava o pessoal do MC5.
Porém, na ocasião, a banda (MC5) já tinha sartado fora da parada, dando uma guinada na carreira, rompendo com o partido e optando por seguir em busca do sucesso comercial na indústria do entretenimento. Além disso, (já sabia do fato) John Sinclair estava em cana. Foi condenado a dez anos de prisão por ter sido pego com dois (2) baseados. Conversei com outros membros do Partido, tudo gente boa, comprei uns jornais e decidi partir para uma cidade próxima, Flint, pois viver em Ann Arbor, era difícil e caro. O que rolou naqueles 4 meses na Amerikkka foi coisa de cinema, ilustro com o inesquecível encontro com o grande astro Mark Farner, cantor e guitarrista do Grand Funk Railroad. Estive na fazenda do cara, batemos um papo sensacional: rock, revolução e brodagem entre os povos da América do Norte e do Sul.
Mas, vamos voltar ao grande Robert Crumb que nasceu em 1943 em Filadélfia, USA e ainda está vivo. Crumb é reconhecido como um dos ícones do movimento underground dos quadrinhos americanos, sendo considerado por muitos como uma das figuras mais proeminentes desse movimento. Tudo começou com a publicação na década de 1960 da revista em quadrinhos artesanal Zap Comix, idealizada por ele. A Zap contou com participações de lendas dos quadrinhos alternativos como S. Clay Wilson, Victor Moscoso, Gilbert Shelton e Spain Rodriguez.
“Embora eu possa gostar muito de indivíduos específicos, a humanidade em geral me enche de desprezo e desespero.” (Robert Crumb – em sua autobiografia póstuma)
RC nasceu numa família religiosa. Seu pai, ex-marinheiro, tocava hinos militares e não conseguia entender por que Robert e seus irmãos, Charles e Maxon, em vez de brincar, gostavam de desenhar quadrinhos, tendo o gato da casa como personagem. Crumb logo se tornou reverenciado artista na cena hippie. Seus quadrinhos como Keep on Truckin´ (Mete Bronca), Mr. Natural (um pseudo guru muito sacana) e Fritz The Cat(um gato boa vida que usa muitas drogas e tem uma vida sexual bastante lasciva) caíram no agrado da moçada, fazendo com que RC fosse alçado a um status de estrelas como Janis Joplin ou Bob Dylan.
Trabalhando obsessivamente, RC construiu uma vasta obra que ajudou a desafiar e expandir os limites das artes gráficas, redefinindo os quadrinhos e as charges como formas de arte contraculturais. De um modo geral toda a sua criação traz uma crítica satírica e mordaz da sociedade contemporânea.
Crumb assinou capas de vários álbuns, a maioria delas promovendo músicas das décadas de 1920 e 1930. Sua capa de disco mais famosa: ‘Cheap Thrills’ (1968), da banda Big Brother and the Holding Company. Ele não era fã da música deles, mas fez a capa como um favor para a vocalista Janis Joplin. A imagem que ele havia planejado para a contracapa acabou sendo usada na capa.
A Amerikkka careta, reacionária, preconceituosa comandada pelo nefasto D. Trump fez Robert Crumb, hoje com 82 anos, vender sua fazenda na Califórnia e ir morar com sua esposa e filha em uma comuna medieval em Sauve, no sul da França. Lá ele montou uma banda no velho estilo oeste. Ele continua desenhando diariamente, mantendo-se distante da internet, das redes sociais e da vida pública, mas lançando obras periodicamente, como a recente antologia brasileira Tempos Modernos. Recentemente o ‘Museée de L’erotisme’, em Paris, exibiu suas obras. Seu último trabalho editado é o segundo volume da revista ‘Art & Beauty’ onde Crumb desenha as belezas das campeãs femininas. Até hoje Crumb sente aversão pela cultura e o american way of life (estilo americano de vida)!
Peguei carona em: https://www.lambiek.net/artists/c/crumb.htm
Crumb (1994) Trailer | Documentary | Robert Crumb | Aline Kominsky
Revisão e pitacos: Hilário Rodrigues
Colaboração midiática: @rodrigo_chaves_de_freitas
Perfil Cultural Caleidoscópio: siga @caleidoscopiobh
Para ler mais crônicas, acesse: https://caleidoscopio.art.br/category/cultural/cultural-musica/cronicas-musicais/
