CHARLIE CHAPLIN- Além de fazer tudo, ele ainda era compositor!
CRÔNICAS DA ERA DO ROCK – Rodrigo Leste – E111
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O mundo assiste perplexo às doideiras do balofo do topete alaranjado a lançar mísseis pra todo lado (a industria bélica agradece). Abro parêntesis: é bom lembrar que, como Vorcaro, Trump é apenas o ponta de lança de todo um sistema nefasto. Sistema que endossa e aprova ações insanas e desumanas. Ações que aparecem na mídia com a cara e a marca registrada do maluco mor. Assistindo a esse “filme” de horror, inevitavelmente surge na minha cabeça a chapliana figura do Grande Ditador que é a resposta do homenzinho de bigode, bem-humorado, aos desmandos promovidos pelo homenzinho nazista de bigode, mal-humorado.
Tratar da genialidade de Charlie Chaplin (1889-1977) é quase que uma redundância. O artista, além de criar o argumento, roteiro, dirigir, atuar e produzir seus filmes, ainda compunha as trilhas sonoras de suas obras.
Havia os que acreditavam que Chaplin apenas cantarolava uma ou duas melodias e que “músicos de verdade” faziam o resto, ledo engano. CC era um compositor de alto nível. Embora não tivesse formação musical, Chaplin herdou de seu pai, cantor de baladas, o dom natural de um ouvido apurado e um excelente senso de ritmo. Segundo a biografia de Fred Karno, o jovem Chaplin passava grande parte do seu tempo livre dedilhando melodias num velho violoncelo. Quando Chaplin assinou contrato com a Essanay Company, comprou um violino no qual tocava durante horas à noite, para a irritação de outros atores que compartilhavam, com ele, um apartamento.
O estilo de composição de CC é marcante. Segundo alguns críticos “Revela uma predileção por hesitações românticas em valsas tocadas em compasso rubato (que consiste em “roubar” tempo de certas notas e compensar em outras), números animados em compasso binário (2/4) que poderiam ser chamados de “temas de passeio” e tangos com uma batida forte.”
D.W. Griffith também compôs alguns temas musicais para seus filmes. Mas talvez Chaplin tenha sido o único que escreveu, dirigiu, atuou e compôs a trilha sonora de um filme. Aliás, ele chegou a reger a orquestra pessoalmente durante as gravações, o que contribui para a sensação de unidade presente em suas películas.
Charles Chaplin estreou profissionalmente em 1901, tendo se destacado com uma apresentação de sapateado. Em 1913, conseguiu o primeiro contrato com o Keystone Film Company, lançando seu primeiro filme, Making a Living (Ganhar a Vida) um curta de 15 minutos, em 1914.
The Tramp (O Vagabundo ) filme criado e lançado por CC em 1915, é o maior ícone do cinema mudo, trazendo um homeless (sem casa) que ganhou o mundo caracterizado pelo chapéu coco, bengala, bigode e roupas desalinhadas (alguém fantasiado de Carlitos, sempre faz sucesso). O personagem mistura humor pastelão com crítica social, mostrando a luta de classes, o enfrentamento entre a pobreza e a elite, com elegância e dignidade.
Seus sucessos se sucederam: O Garoto (1921), Em Busca do Ouro (1925), Luzes da Cidade (1931), Tempos Modernos (1936).
Chaplin resistiu a fazer cinema falado durante os anos 30; mas sua estreia nos filmes falados foi marcante – O Grande Ditador, lançado nos EUA em 1940 quando a II Guerra Mundial ia de vento em popa. A obra tem grande importância no contexto histórico. Através dela, Chaplin chamou a atenção do mundo inteiro para algo que muitos países, principalmente os Estados Unidos, se recusavam a enxergar: as atrocidades que estavam sendo cometidas pelos regimes nazifascistas (Alemanha, Itália e Japão) da época. Chaplin enviou o seu alarme da única forma com a qual ele sabia que poderia atingir a opinião pública – através do humor.
Alguns trechos do discurso final do Grande Ditador:
“ Vamos lutar por um mundo novo, um mundo decente, que dê ao homem uma chance de trabalhar, que dê um futuro à juventude e segurança aos idosos.
Vamos lutar para libertar o mundo, acabar com as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à intolerância.”
As palavras do ditador têm uma enorme atualidade, mas dou a dica pros vídeo makers (fazedores de vídeo) da IA: usar a pantomima de Chaplin (quando o ditador brinca com o globo terrestre) e trocar a imagem do ator pela do balofo do topete alaranjado. Acho que dá rock!
Em tempo: Smile (Sorria), melodia composta por Chaplin para o filme Tempos Modernos, com letra de John Turner e Geoffrey Parsons, tornou-se uma das canções de maior sucesso mundial na voz de Nat King Cole, em 1954. Depois, foi regravada por craques como: Michael Jackson, Judy Garland, Diana Ross e Elton John.
Peguei carona: https://assimerahollywood.wordpress.com/2012/05/24/o-grande-ditador
Pitacos e revisão: Hilário Rodrigues
Colaboração midiática: @rodrigo_chaves_de_freitas
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