O PATO e os Bons Tempos da BOSSA NOVA
CRÔNICAS DA ERA DO ROCK – Rodrigo Leste – E114
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—Imagina: tem clima pra alguém compor hoje, no mundo enlouquecido em que vivemos, uma música com a leveza, o alto astral do clássico da Bossa Nova, O Pato (Jaime Silva e Neuza Teixeira)? A canção composta no fim da década de 1940, tornou-se conhecida após a gravação de João Gilberto no seu segundo álbum, O Amor, o Sorriso e a Flor, de 1960.
Sinta a onda: O Pato, que faz parte de um disco intitulado O Amor, o Sorriso e a Flor. Ou seja: naquele ano de 1960 havia espaço para a beleza, a esperança, a suavidade. E, é claro, não vou cair na armadilha do saudosismo piegas, é apenas a constatação de que a vida era mais bacana, apesar de todos os pesares (fome, desigualdades, os milicos querendo botar as manguinhas de fora, etc. e tal).
Reza a lenda que Tom Jobim e João Gilberto passaram 10 dias em um sítio da família Jobim, na cidadezinha de São José do Vale do Rio Preto, perto de Teresópolis. Ali, João apresentou a Jobim o samba O Pato, que JG trouxe da sua curta passagem pelo grupo Garotos da Lua. O Pato ainda não tinha sido registrado em disco.O mestre Jobim gostou e achou que seria interessante incluí-la no álbum para fazer um contraponto à sobriedade das outras canções do disco.
O Amor, o Sorriso e a Flor saiu no começo de 1960 e o desconhecido e despretensioso sambinha O Pato tornou-se um sucesso mundial. Foi gravado por nomes como Gilberto Gil, Elza Soares, Sérgio Mendes, Adriana Calcanhotto, Stan Getz, Charlie Byrd, Jon Hendricks e Coleman Hawkins.
Passo a bola para Conrado Paulino, violonista e professor:
“O Amor, o Sorriso e a Flor consagrou definitivamente João Gilberto como intérprete e violonista, um ano após o enorme destaque conquistado com o seminal “Chega de Saudade”, lançado em março de 1959.
Consagrou também (ainda mais) o mestre Tom Jobim como compositor (seis das 12 canções do disco são da sua autoria, incluindo os megassucessos mundiais Samba de Uma Nota Só e Corcovado) e como arranjador.
E, como se fosse pouco, o disco deu formato definitivo à estética da Bossa Nova (a mesma estética que dois anos depois seria um furor nos Estados Unidos, a partir do lançamento da edição norte-americana do disco em 1962 e da lendária apresentação dos mestres da Bossa Nova em 21 de novembro desse mesmo ano no Carnegie Hall de New York)
E O Pato? Tornou-se uma das músicas da era da Bossa Nova mais conhecidas no mundo, junto com Desafinado, Chega de Saudade e outros clássicos. Nada mal para um sambinha despretensioso.
E Conrado arremata:
PS: “Todo músico conhece a lenda do gato de João Gilberto, aquele que suicidou-se, atirando-se pela janela do prédio, porque não aguentava mais ouvi-lo ensaiando e repetindo pequenos trechos da mesma música, à exaustão. Pois essa música, segundo a lenda, era “O Pato”.”
Noves fora, saudosismo, é pena no mundo em que vivemos não contarmos mais com a doce elegância da Bossa Nova, a competência e bom gosto de João Gilberto e Tom Jobim e músicas alegres e pra cima como O Barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli -1961) e O Pato.
Peguei carona. Fonte no site
O PATO:
Revisão: Hilário Rodrigues
Colaboração midiática: @rodrigo_chaves_de_freitas
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