Pixiguinha
Crônicas Musicais

Pixiguinha

PIXINGUINHA – Carinho em forma de canção

CRÔNICAS DA ERA DO ROCK – Rodrigo Leste – E108

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Aos 40 e poucos anos Pixinguinha (1897-1973) compôs uma das músicas emblemáticas do cancioneiro popular brasileiro: Carinhoso. Ao lado de Donga, Sinhô e João da Baiana, forma o quarteto primordial do nosso samba. Donga é autor, em parceria com Mauro de Almeida, do primeiro samba gravado no Brasil: Pelo Telefone (1917). Sinhô foi o compositor brasileiro que fez mais sucesso na década de 1920. É autor de mais de 150 composições, entre as quais os clássicos Jura e Gosto que me Enrosco. João da Baiana é um dos autores do clássico Batuque na Cozinha, que se tornou muito conhecido na voz de Martinho da Vila. JB traz em seu currículo o feito de ser quem introduziu o uso do pandeiro e do prato e faca no samba.

Ainda de calças curtas e com o apelido de “Carne Assada”, Pixinguinha já tocava flauta em grupos que se apresentavam no Rio de Janeiro, inclusive na zona boêmia da Lapa. O “Pixinguinha” veio depois. Começou como Pizindim (menino bom), para tornar-se Pixinguinha. Na sua casa a música fazia parte do cotidiano. Seu pai era flautista, e seus irmãos, músicos. Teve uma boa formação musical, lia e escrevia partituras.

Fazer samba no Rio, nessa época, significava frequentar a casa da Tia Ciata, reduto de bambas e até de intelectuais. Pixinguinha estava sempre presente na companhia da fina flor do samba de seu tempo. Forma, com Donga, um dos grupos mais importantes da MPB: Os Oito Batutas (1919-1923). Além de turnês pelo Brasil, o grupo apresenta-se em Buenos Aires e em Paris. O jazz passa a ser um importante ingrediente na música batuta.

Em 1937 alcança o sucesso através de duas de suas composições: Rosa e Carinhoso na voz de Orlando Silva, o cantor das multidões. P toma importante decisão: passa da flauta para o sax tenor, instrumento no qual se notabilizou. Ao longo de 60 anos (de 1911 a 1971), Pixinguinha acompanhou e gravou com Francisco Alves, Carmen Miranda e Orlando Silva (e outras grandes vozes de seu tempo). Participou de conjuntos emblemáticos como os Oito Batutas, os Diabos do Céu e o Grupo da Guarda Velha. Ele formou – como flautista – um trio com o bandolinista Luperce Miranda e o violonista Tute, um dos pioneiros do violão de sete cordas no Brasil. Em 1963 compõe a trilha sonora do filme Sol Sobre a Lama de Alex Viany.

Pixinguinha sofreu um enfarte em 1964. Diminuiu o ritmo de suas atividades chegando a declarar: “Hoje só quero saber de sossego e de viver em paz com todo mundo. Tenho medo que a morte me apanhe de surpresa”. E, de fato, o músico veio a morrer em paz. Faleceu em 1973 dentro da Igreja da Nossa Senhora da Paz, quando apadrinhava uma criança.

Caminhos da Reportagem | Pixinguinha ao Mestre com Carinho

Pitacos e revisão: Hilário Rodrigues

Colaboração midiática: @rodrigo_chaves_de_freitas

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