Pistoleiros errantes, malvados mais favoritos que heróis, paisagens hostis e melodias inesquecíveis. O spaghetti western, subgênero italiano que reinventou o faroeste nos anos 1960 e 70, é amplamente considerado um dos movimentos/estilos mais influentes da história do cinema. Pensando nisso, ao longo de abril, o Cine Humberto Mauro oferece ao público uma mostra dedicada ao chamado “faroeste espaguete”. A programação, com mais de 20 longas-metragens, destaca obras do cultuado diretor Sergio Leone, como a famosa “Trilogia dos Dólares”, mas também de nomes menos conhecidos, dos dias 4 a 27 de abril. Além das exibições e de sessões comentadas, o público terá a oportunidade de, no primeiro fim de semana da mostra, assistir a dois concertos da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais com interpretações de algumas das trilhas mais célebres de filmes presentes na curadoria. A mostra “Faroeste Espaguete” tem entrada gratuita, e cada pessoa poderá retirar 1 ingresso na bilheteria do cinema, a partir de meia hora antes das sessões.
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Ao longo do mês de abril, os/as espectadores/as terão a chance de visitar ou revisitar um dos subgêneros mais inovadores e estilisticamente ousados da história do cinema. Filmes como “Por uns Dólares a Mais” (1965), “Três Homens em Conflito” (1966) e “Era Uma Vez no Oeste” (1968), todos de Sergio Leone, além de “O Retorno de Ringo” (1965), de Duccio Tessari, “Django” (1966), de Sergio Corbucci, e “Corre Homem, Corre!” (1968), de Sergio Sollima – entre outros –, não apenas ilustram a essência desse cinema, mas também revelam o vigor artístico e crítico que ele carrega. O spaghetti western não fez menos que ressignificar o imaginário do Velho Oeste, subvertendo arquétipos e consolidando um estilo visual e sonoro inconfundível, que embala histórias marcadas por anti-heróis de poucas palavras, paisagens desoladoras e uma atmosfera carregada de tensão e melancolia.
A mostra “Faroeste Espaguete” é realizada pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e Fundação Clóvis Salgado. A ação é viabilizada por meio da Lei Paulo Gustavo (LPG) e da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Governo Federal, Brasil: União e Reconstrução. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo FrediZak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH e da ArcelorMittal, Patrocínio da Vivo e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. O Palácio das Artes integra o Circuito Liberdade, que reúne 35 equipamentos com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo.
Grandes clássicos e tesouros escondidos – A curadoria da mostra “Faroeste Espaguete” reúne obras fundamentais, que destacam as peculiaridades narrativas e formais definidoras do subgênero – que tem entre suas características mais emblemáticas a trilha sonora. A música exerce um papel mais que marcante nessas obras, e talvez seja o principal ingrediente de estilo para moldar a percepção emocional do público, destaca Vitor Miranda, Gerente de Cinema da Fundação Clóvis Salgado e curador da mostra. “A colaboração histórica entre o cineasta Sergio Leone e o compositor Ennio Morricone é, sem dúvida, um marco intransponível quando pensamos nesse tipo de filme e em suas melodias, que se tornaram parte do imaginário popular e da própria tradição da sétima arte”, aponta Miranda.
Para além das exibições, a mostra busca fomentar uma reflexão aprofundada sobre o faroeste espaguete e seu legado, por meio de três sessões comentadas conduzidas por especialistas. Essas conversas explorarão desde os aspectos técnicos e narrativos até as implicações sociais e culturais do subgênero, ampliando a percepção crítica do público. No dia 10 de abril, às 17h, o filme “Uma Pistola para Ringo” (1965), de Duccio Tessari, será discutido pelo professor e pesquisador José Ricardo Miranda Jr. Já em 19 de abril, às 16h, a sessão de “Pat Garrett & Billy the Kid” (1973), de Sam Peckinpah, será comentada pelo antropólogo, crítico, curador e professor de cinema João Paulo Campos. O filme de Peckinpah, diretor norte-americano nascido há exatamente 1 século e conhecido pela violência de suas obras, não se enquadra no subgênero spaghetti western, mas demonstra a grande influência dos filmes italianos no surgimento dos chamados faroestes revisionistas nos Estados Unidos. Já o brasileiro “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1969), de Glauber Rocha, será exibido em película 35mm no dia 25 de abril, às 19h30, com comentário da crítica de cinema e pesquisadora Bárbara Bello. A sessão propõe um diálogo com o cinema nacional, ressaltando conexões simbólicas e estilísticas entre o faroeste estilizado e a estética revolucionária do Cinema Novo e revelando também os pontos de divergência entre os dois movimentos. Em 11 de abril, às 19h, “Os Imperdoáveis” (1992), de Clint Eastwood, outro exemplar do revisionismo americano, será exibido dentro do projeto “Cinema e Psicanálise” e comentado por Antônio Teixeira, membro da Escola Brasileira e da Associação Mundial de Psicanálise.
A programação inclui, ainda, exemplares peculiares, que ajudam a ampliar as noções sobre o subgênero. É o caso de “Belle Starr: A Pistoleira de Virginia” (1968), de Piero Cristofani e Lina Wertmüller, amplamente considerado o único western spaghetti dirigido por uma mulher – o que de imediato o distingue, já que o faroeste é conhecido por suas narrativas criadas por homens e centradas em personagens masculinos. Vitor Miranda explica que, ao combinar clássicos do subgênero e filmes menos conhecidos, a mostra “Faroeste Espaguete” busca desbravar, junto ao público, as múltiplas camadas de um estilo inesquecível e emblemático. “A programação se propõe a traçar um panorama abrangente do spaghetti western, considerando suas origens, transformações e ressonâncias. A história do subgênero é marcada pela admiração dos diretores italianos pelo faroeste americano, porém com uma estilização mais aparente e radical, repleta de close-ups e zooms nas cenas mais climáticas, por exemplo. Tudo isso em uma atmosfera de desilusão forte com a sociedade, onde não existe um herói ‘bonzinho’ e dono da moral. Nosso desejo é que os espectadores percebam de que maneira a estética e os temas singulares desses filmes influenciaram e continuam a ressignificar o cinema global”, afirma o Gerente de Cinema da Fundação Clóvis Salgado e curador da mostra.
Trilhas memoráveis ao vivo – A abertura oficial da mostra, em seu primeiro fim de semana, será marcada por dois eventos grandiosos: o concerto “Era uma vez no Faroeste”, com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG), que irá ocorrer no sábado, dia 5 de abril, e no domingo, 6 de abril, trazendo ao palco do Grande Teatro Cemig Palácio das Artes temas imortais, como aquele de “Era Uma Vez no Oeste”, sem deixar de lado composições mais recentes que reverberam a influência duradoura do spaghetti western. “Os temas principais que vão ser interpretados no programa foram criados por Ennio Morricone, que é uma grande lenda quando se fala em trilhas sonoras para cinema. A música criada por Morricone é indissociável da narrativa. Trata-se então de um tributo à força musical que moldou esse subgênero”, define Vitor Miranda.
O público do concerto “Era uma vez no Faroeste” terá a oportunidade de conferir, ao longo do final de semana, os filmes que terão trilha sonora executada pela OSMG. Na sexta-feira, dia 4 de abril, às 15h e às 17h serão exibidos “Por um punhado de dólares” (1964) e “Por uns dólares a mais”, respectivamente. No sábado, às 17h, o filme “Três Homens em Conflito”, e no domingo, 6 de abril, às 17h15, a obra-prima “Era uma Vez no Oeste”.
Local: Humberto Mauro, Palácio das Artes
Data: 4 a 27 de abril
Ingressos: gratuito
Endereço: Av. Afonso Pena 1537, centro – BH
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